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21 de abril de 2019

ÀS VÉSPERAS DO 26° CONGRESSO DO PARTIDO OPERÁRIO

Panorama internacional

As vesperas do 26 Congreso do Partido Operario

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Panorama internacional

Do ponto de vista político, devemos falar, não de uma consolidação da direita, mas sim de uma situação de alta volatilidade.

O desmoronamento da experiência macrista é indissociável da arena internacional que enfrentamos. O relatório político posto em consideração para o Congresso, publicado nas páginas de "Em Defesa do Marxismo”, destaca que a Argentina é, precisamente, o elo mais débil da crise mundial capitalista em desenvolvimento. “ Para o FMI, a crise argentina é uma das chaves que explica a desaceleração global” (Clarín, 10/4).

Em que estágio se encontra atualmente a crise que estourou em 2007/8? As “turbulências” que se deram durante 2018 e com especial intensidade em sua segunda metade em Wall Street e as bolsas do mundo inteiro, com quedas fortes nos preços das ações e grandes perdas para setores capitalistas, está modificando o ponto de vista otimista dos analistas e organismos financeiros internacionais. .

A tendência ao colapso financeiro tem como base o crescente esgotamento dos recursos estatais para o resgate dos capitais em crises. Mas, como pano de fundo, está a crise de super produção, tanto na fabricação industrial de mercadorias como nos mercados de matéria-prima. Não estamos frente a uma nova crise - uma vez supostamente superada a bancarrota de 2007 – mas sim em uma nova fase dessa crise.

Por detrás dos sinais de crise financeira está em gestação o ingresso dos Estados Unidos e a economia mundial em uma nova recessão.

A desaceleração econômica mundial estende-se à China, que continua crescendo, mas a um ritmo consideravelmente menor. Depois, seguem Alemanha e Japão.
É esta crise sistêmica de superprodução o que está impulsionando as guerras comerciais. Incrementam-se os choques entre as diferentes potências e imperialismos. As alianças preexistentes estão se afundando (crises da aliança político-militar da OTAN, proposta de constituir forças armadas da União Europeia independentes das norte-americanas; etc.).

A guerra político-comercial entre Estados Unidos e a UE reflete o propósito de Donald Trump de subordinar mais firmemente o acionamento de seus competidores “ex” aliados. O choque fundamental da guerra econômica empreendida por Trump está dirigido contra a China. 

Além do desequilíbrio no intercâmbio comercial, a ofensiva ianque aponta a frear drasticamente a incursão chinesa na indústria de alta tecnologia (que, segundo a elite dirigente norte-americana, põe em irrigação a hegemonia econômica), e também no plano político e até militar.

Cenário volátil

A guerra comercial em pleno desenvolvimento é a parteira de fortes tendências a conflitos bélicos, o que em se manifestando nas guerras coloniais do Oriente Médio. O fim do Estado Islâmico na Síria não significa a paz para a região, mas sim o prenúncio de novas e mais prolongadas guerras.

Isto se constata também no conflito com a Coréia do Norte, que está em uma precária situação. O conflito Trump/Kim Jong-um está inscrito no cerco estratégico que o Pentágono e todas as frações políticas dirigentes da burguesia estão impulsionando sobre a China, para que esta abra sua economia à penetração do capital imperialista e avançar em uma colonização profunda do país. Como parte disto, vemos a maior presença militar dos Estados Unidos nos mares que rodeiam a China.

As tendências belicistas estão se desenvolvendo também na América Latina, como se revela na ameaça de uma invasão ianque à Venezuela.
Como se traduz este quadro no campo político? E mais concretamente, seria importante responder à interrogação se o mundo gira à direita.

O não fechamento da crise de 2007/8 e a ameaça concreta de voltar a cair em outra recessão internacional está agudizando os conflitos políticos e indica um giro nas relações internacionais.
Temos a ascensão da direita e a chamada ultradireita fascistizante ao poder em vários países da Europa: Itália, Polônia, Hungria e outros, e o fortalecimento das oposições apoiadas por estes ultradireitistas (Alemanha, Itália, Espanha, etc.).

Na atualidade, não podemos falar, no entanto, de uma estruturação, nem uma mobilização em massa da pequena-burguesia contra os trabalhadores. É necessário distinguir o caráter e a identidade fascista de certas forças políticas, da ascensão e consolidação de um regime fascista. No momento atual, assistimos à paralisia e ao afundamento dos regimes parlamentares e a uma crescente tendência a serem substituídos por regimes autoritários bonapartistas e semibonapartistas. Este é um fenômeno generalizado, não só em países europeus, mas também na Rússia e China, como nos países “emergentes”: Bolsonaro no Brasil, Erdogan na Turquia. No centro da tormenta encontra-se os Estados Unidos, com a tendência de Trump a potencializar-se como um regime personalista, tratando de superar os controles e travas parlamentares, ainda que esta tentativa tropece com obstáculos crescentes.

Mas a ascensão destes regimes ultradireitistas e fascistóides não resolve o problema das tendências dissolventes da bancarrota capitalista em curso e suas consequências sobre os regimes políticos e sobre as massas.

Desde o ponto de vista político, devemos falar, não de uma consolidação da direita, mas sim de uma situação de alta volatilidade. A ascensão do ultradireista Jair Bolsonaro no Brasil está acompanhada pela do centro esquerdista Andrés Manuel López Obrador, no México. Bolsonaro mesmo aparece atolado pelo aprofundamento das divergências dentro de sua base de apoio, que ainda muito cedo já sofreu várias crises de gabinete.

O caráter instável e volátil da situação política internacional não deve nos ocultar, não obstante, o perigo do crescimento das saídas bonapartistas e semibonapartistas de direita ou fascistas, e como devemos as enfrentar. Como tinha advertido León Trotsky no Terceiro Congresso Mundial da Internacional Comunista em 1921, contra todo economicismo reducionista e determinismo mecanicista, é precisamente em momentos de perigo mortal para a classe capitalista e a desintegração da sociedade capitalista, que existe também “o florescimento mais elevado da estratégia contrarrevolucionaria da burguesia’”.

Venezuela
Um capítulo especial é o da Venezuela, aonde o imperialismo ianque está montando uma ampla operação para produzir um golpe contra Nicolás Maduro e impor um governo fantoche que garanta a entrega impunemente dos recursos energéticos. Está se alinhando como uma cobaia à maioria dos governos latinoamericanos. Mas, apesar do desgaste de Maduro, não está conseguindo derrubá-lo até o presente. Trump está deixando aberta todas as opções, inclusive de uma intervenção militar. Mas o imperialismo vacila sobre a viabilidade dessa opção sem uma fratura prévia dos altos comandos militares, que ainda permanecem leais ao regime.

O governo, por enquanto, se choca com os golpistas, mas também com o outro polo, o da luta e organização independente dos trabalhadores. Maduro está levando a miséria de seu povo a níveis inéditos, próprios de uma catástrofe ou guerra.

A derrota do golpe cobaia-imperialista contra a Venezuela é fundamental para todos os trabalhadores da América Latina. Um triunfo golpista serviria para instaurar mais abertamente a ingerência direta, diplomática-política-econômica-militar da mão do FMI, o grupo de Lima e a OEA, e a intervenção direta do imperialismo.

A luta contra o golpe imperialista deve ser feita na Venezuela sem apoiar politicamente ao governo repressor de Maduro. Pelo contrário, a esquerda revolucionária deve propor, agitar e organizar a execução das medidas que para valer possam derrotar do golpe. De jeito nenhum pode ser feito causa comum com a direita pró-imperialista que pretende se disfarçar de defensora da democracia.

Polarização

O cenário internacional aqui descrito é o caldo de cultura para uma crescente polarização política. O polo de direita, contrarrevolucionário, com suas contradições, está claro. Mas o outro polo, o da resistência a estes planos e governos, está politicamente indefinido. Ainda que esteja em desenvolvimento.

La Nación (23/2) reproduz a capa do semanário britânico The Economist que entitula: “A esquerda ressurge no mundo da mão do socialismo milenar”. E o próprio Trump tomou como eixo em seu discurso de polarização política (e eleitoral) a proposição de que “América nunca será socialista”.

As catástrofes econômicas provocam crises políticas que se combinam com uma inflexão na tendência mundial para a irrupção da luta de massas e, potencialmente, a criação de situações revolucionárias.
O caminho das revoluções árabes, que foi pulverizado ou contido há quase uma década, está sendo retomado. Agora está explodindo uma rebelião de proporções na Argélia que ameaça a derrubada do governo. Precedido por massivas greves e mobilizações no Irã, Tunísia, Iraque, Jordânia e agora no Sudão.

Na América Latina temos uma ascensão das lutas em América Central, produto da crise e as medidas pró FMI que tentam se aplicar (Nicarágua, Haiti, Costa Rica, etc.).
Vemos a mobilização radicalizada das mulheres, da juventude, das massas empobrecidas, mas há, ainda, um grande ausente: a classe operária. O proletariado da grande indústria não se mobiliza decisivamente como classe, nem na França, nem no Brasil, nem na Argentina. Aqui é onde se vê que atuam como bloqueio as burocracias operárias dos sindicatos e centrais operárias, crescentemente comprometidas com o estado.

Esquerda e estratégia

De tanto agitar o fantasma da direita, esquece-se da responsabilidade da esquerda neste fenômeno. Não pode ser explicado a ascensão da direita, sem as políticas de desgaste e adaptação da centroesquerda e a esquerda que possibilitam este avanço.

Contraditoriamente, quanto mais avança a crise do capital, maior é a tendência à integração política da esquerda, procurando – inutilmente - retomar o velho equilíbrio que se perdeu.
O avanço da direita, agora, é o argumento utilizado para voltar a repensar sua rejeição à independência operária. O “inimigo” é a direita, não o capitalismo. O que está na moda nestas correntes é propor a necessidade de formar frentes antifascistas e/ou contra a direita.

Estas frentes contra a direita, que impulsionam o nacionalismo burguês e o socialismo pequeno burguês, fixam o campo parlamentar-eleitoral como o terreno de luta. Mas a direita não vai ser derrotada pela via parlamentar, mas sim na luta operária e nas ruas.

A integração da esquerda às frentes populares de conciliação de classes ou diretamente aos partidos burgueses em busca de um cargo eleitoral foi se transformando em uma norma.

As explosões de crises e a criação de situações revolucionárias propõem a necessidade de construir partidos de combate revolucionários e a Internacional. Porque nesses momentos é onde é mais importante a experiência e a orientação de uma vanguarda operária e da esquerda para equacionar os impressionantes problemas que se propõem e levar ao poder os trabalhadores. A perspectiva revolucionária de instaurar o governo dos trabalhadores é a grande divisória de águas no seio da esquerda mundial. A necessidade da Internacional para centralizar estes processos é vital. Ponhamos em pé uma internacional revolucionária: a IV Internacional!
 

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