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23/7/2020

A Frente de Izquierda-Unidad convoca a Conferência Virtual da América Latina e dos EUA

Para os dias 30 e 31 de julho e 01 de agosto

Partido Obrero - PTS - Izquierda Socialista - MST

Que a crise seja paga pelos capitalistas. Fora o imperialismo da América Latina. Fora o FMI, não ao pago das dívidas externas. Viva as lutas de trabalho e a juventude precarizada. Nem demissões e rebaixas salariais. Abaixo o racismo e a violência e repressão policial. Por uma saída dos trabalhadores diante a pandemia e a crise capitalista.

Os partidos da Frente de Izquierda-Unidad (FIT-U) da Argentina decidimos realizar uma Conferência Virtual da América Latina e dos EUA em 1º de agosto. A Conferência será precedida por três palestras-debate, a serem realizadas nos dias 30 e 31 de julho. Esta Conferência retoma a iniciativa acordada no início deste ano pelos partidos FIT-U e suspensa como resultado da crise pandêmica. Nesta ocasião, dado o processo de rebelião desencadeado nos EUA, a Conferência também sediará organizações de luta da América do Norte. As bases políticas e programáticas nas quais convocamos esta Conferência estão incorporadas na declaração “Um novo cenário na América Latina e a necessidade de uma saída socialista e revolucionária”, no texto “A Conferência Latino-Americana convocada pela FIT-U é adiada”, na “Declaração da FIT-U para o Dia Internacional do Trabalhador”, e neste texto. Os importantes acordos, bem como as nuances e diferenças que temos entre as organizações convocantes, são expressos nesses.

O novo quadro criado dá uma nova atualidade à iniciativa continental impulsionada pelos partidos FIT-U.

A rebelião nos Estados Unidos, que tocou o planeta e encurralou Donald Trump, tem um impacto favorável nas massas do mundo, gerando ações solidárias e condicionando o cenário internacional. A indignação e repúdio contra a violência policial e o racismo que estouraram com o brutal assassinato de George Floyd somam-se ao crescente descontentamento e desespero das massas, pelo efeito combinado da pandemia e uma profunda recessão. O impacto da maior crise capitalista nos Estados Unidos levou quase 49 milhões de trabalhadores a solicitar o seguro-desemprego em apenas 16 semanas. Os baixos salários e um sistema de saúde pago empurram os sem-teto, os desempregados, os trabalhadores precários e informais à morte. Tudo isso tem sido o terreno fértil da grande rebelião popular que ocorre lá. O Partido Democrata está tentando desviar esse imponente movimento de protesto em direção ao voto de Joe Biden na eleição de novembro, o candidato do establishment, para evitar que ele seja radicalizado. A rebelião não só representa um golpe descomunal para a administração Trump, mas também afeta todos os governos latino-americanos que, de uma forma ou de outra, tributam o imperialismo dos EUA, e é um chamado à ação e à luta contra todos os povos do subcontinente.

A pandemia evidenciou o antagonismo existente entre a saúde e a vida dos trabalhadores e maiorias populares, por um lado, e o sistema capitalista, por outro. Resgates multimilionários privilegiaram o resgate do capital. A assistência econômica à população ficou reduzida a uma proporção marginal. O mundo enfrentou o coronavírus com sistemas de saúde vazios e deteriorados, vítimas de cortes drásticos como resultado de anos de ajuste aplicados por todos os governos, ao mesmo tempo em que permite e incentiva a continuidade do lucro privado em saúde.

O que tem sido priorizado em meio à pandemia são os ganhos capitalistas, forçando os trabalhadores a continuar a produção, com total desprezo por suas vidas e integridade física. Isto é exacerbado na América Latina, onde as condições de pobreza e carências extremas criam um terreno fértil para a disseminação do vírus, que vem fazendo estragos em bairros populares.

O surto de coronavírus agravou uma crise capitalista que já era anterior. O mundo está indo para uma depressão, só comparável ao pós-crack de 29. A OIT já está falando de 480 milhões de desempregados. O resgate de grandes empresários, bancos e multinacionais pretende ser financiado com mais ajustes, demissões, miséria crescente, desigualdade social e desastre ambiental sem precedentes. Estamos frente a uma crise funda do capitalismo que está enraizada na Grande Recessão de 2008. Grandes setores de trabalhadores e jovens em todo o mundo começam a tirar a conclusão de que esse sistema não está mais funcionando.

O novo ciclo especulativo que se seguiu aos resgates não impediu a fuga de capital na América Latina, que é combinado com dívidas fraudulentas e de usura pelos governos e acompanha os planos de austeridade sob a tutela do FMI, a fim de dar aos credores garantias de reembolso.

No contexto da guerra comercial impulsionada pelo imperialismo dos EUA, particularmente contra a China, os EUA buscam fortalecer seu domínio em nosso continente, não apenas com extorsão econômica, mas também por interferência direta, como tem sido visto na política agressiva contra a Venezuela, fato que repudiamos além de nossas profundas diferenças com o regime de Maduro. Ao mesmo tempo, denunciamos que tanto os EUA quanto a China buscam em sua disputa aproveitar os recursos naturais e estratégicos da nossa região por meio de parcerias com corporações capitalistas extrativistas.

Nesse contexto, a América Latina tornou-se mais um centro da crise pandêmica e também da crise social. Sob o governo de Bolsonaro, de extrema-direita, o Brasil é um dos países mais atingidos pela pandemia. Chile, Peru, Bolívia e Equador também sofreram esse flagelo em larga escala, sob governos de direita. No México e na Argentina, governos ‘nacionais e populares’ estão longe de tocar os interesses das grandes patronais para enfrentar o quadro de esvaziamento da saúde e a crise social. Pelo contrário, mantiveram uma linha de subordinação ao imperialismo, como López Obrador demonstrou em sua reunião com Trump e Alberto Fernandez com sua submissão aos preceitos dos fondos buitre e do FMI. Este último também busca um “pacto social” com as câmaras empresárias que envolverá os trabalhadores que pagam os custos da crise.

Diante deste panorama, fica claro que todas as contradições sociais que motivaram rebeliões populares latino-americanas em 2019 acentuaram-se. Reconsidera-se, então, a abertura de uma nova fase de grandes lutas e rebeliões dos explorados, como é revelado pelas novas jornadas nacionais de protestos no Chile, as manifestações no Equador contra o fondomonetarista Lenin Moreno e a crescente insatisfação das massas bolivianas com a golpista Añez, as expressões de aborrecimento contra Bolsonaro no Brasil, a reação do movimento estudantil na Colômbia, a nova situação no Paraguai a partir do dia 22 de junho, o reinício de protestos ainda moleculares na Nicarágua, bem como a resistência dos trabalhadores e da juventude explorada em desenvolvimento na Argentina.

A Conferência Virtual da América Latina e dos EUA é contextualizada em um tempo de características históricas, que coloca desafios gigantescos para os trabalhadores, pedindo medidas emergenciais para combater a pandemia e os planos de ajuste que atingem o povo trabalhador, lutando para que a crise seja paga pelos capitalistas na perspectiva de uma saída de fundo trabalhista e socialista. Convidamos a esquerda que se reivindica classista, o movimento operário combativo, a juventude que se rebela, o ativismo feminista e ambiental, e a intelectualidade comprometida, a fazer parte desta Conferência para discutir a base da luta sob as bandeiras da independência de classe, dos governos operários e da unidade socialista da América Latina.

BOLIVIA: Agrupación de Trabajadores Bolivianos; Alternativa Revolucionaria del Pueblo Trabajador (ARPT) – UIT-CI; Liga Obrera Revolucionaria por la Cuarta Internacional (LORCI) – FTCI

BRASIL: Alternativa Socialista (LIS); Corriente Socialista de los Trabajadores (CST-PSOL), sección UIT-CI; Lucha Socialista (LS) sección simpatizante UIT-CI; Luta Pelo Socialismo (LPS); Movimento Revolucionário de Trabalhadores (MRT) – FTCI

CHILE: Fuerza 18 de Octubre; Movimiento Anticapitalista (LIS); Movimiento Socialista de los Trabajadores (MST) – UIT-CI; Partido de Trabajadores Revolucionarios (PTR) – FTCI

COLOMBIA: Colectivo Unidos, simpatizante UIT-CI; Impulso Socialista (LIS)

COSTA RICA: Juventud Obrera; Organización Socialista (OS) – FTCI

ECUADOR: Liga Socialista (LIS)

ESTADOS UNIDOS: Left Voice (LV) – FTCI; Speak Out Now; Socialist Core (SC) – UIT-CI; Socialist League (LIS)

MÉXICO: Grupo Acción Revolucionaria-Juventud Revolucionaria-Rosas Rojas; Movimiento al Socialismo (MAS) – UIT-CI; Movimiento de los Trabajadores Socialistas (MTS) – FTCI

NICARAGUA: Alternativa Anticapitalista (LIS)

PANAMÁ: Propuesta Socialista – UIT-CI.

PARAGUAY: Alternativa Socialista (LIS).

PERÚ: Agrupación Vilcapaza; Corriente Socialista de las y los Trabajadores (CST) – FTCI; Unios – UIT-CI.

REPÚBLICA DOMINICANA: Movimiento Socialista de los Trabajadores (MST) – sección simpatizante UIT-CI

URUGUAY: Agrupación León Trotsky; Corriente de Trabajadores por el Socialismo (CTS) – FTCI; Rumbo Socialista (LIS).

VENEZUELA: Liga de Trabajadores por el Socialismo (LTS) – FTCI; Marea Socialista (LIS); Partido Socialismo y Libertad (PSL), UIT-CI.

Versión en español.